Diário de um Louco (Nikolai Gogol)

Diário de um Louco (Nikolai Gogol)

3 de outubro. Aconteceu-me hoje uma aventura insólita. Levantei-me bastante tarde e, quando Mavra me trouxe as botas limpas, perguntei-lhe que horas eram. Ao ouvir que já passava muito das dez, comecei a vestir-me com mais pressa. Confesso que não tinha a menor vontade de ir à repartição, pois já sabia com que cara feiaLeia mais sobreDiário de um Louco (Nikolai Gogol)[…]

O Tiro (Aleksander Pushkin)

O Tiro (Aleksander Pushkin)

I Paramos na cidade de ***. Sabe-se o que é a vida de um oficial: de manhã, exercícios, instruções e manejo de armas; almoço na casa do comandante ou na taverna do judeu; à tarde, ponche e cartas. Em *** não havia nenhuma casa hospitaleira, nem jovem casadoura; assim, nos reuníamos uns nas casas dosLeia mais sobreO Tiro (Aleksander Pushkin)[…]

Ruivo (Maksim Górki)

Ruivo (Maksim Górki)

Não há muito tempo, um homem de uns quarenta anos, chamado Vaska e apelidado “Ruivo”, era empregado numa casa de prostitutas de uma cidade do Volga. Devia o apelido ao seu cabelo, que era de um vermelho brilhante e ao seu rosto gordo, que tinha a cor de carne crua. Com lábios muito grossos eLeia mais sobreRuivo (Maksim Górki)[…]

O Aleijado (Maksim Górki)

O Aleijado (Maksim Górki)

Foi numa escura e abafada noite de verão que encontrei, numa viela de arrabalde, um estranho quadro: no meio de grande poça lamacenta uma estranha mulher chapinhava na água suja como crianças gostam de fazer. Cantava, ao mesmo tempo, com voz fanhosa, uma canção indecente. No dia anterior houvera forte trovoada e a pesada chuvaLeia mais sobreO Aleijado (Maksim Górki)[…]

Caim e Artêmio (Maksim Górki)

Caim e Artêmio (Maksim Górki)

Caim era um judeu, pequeno, irrequieto, de cabeça pequena e rosto pálido e seco; farripas de cabelo ruivo e áspero cobriam-lhe as faces e o queixo, dando-lhe à cara o aspecto de um velho quadro emoldurado em pelúcia e rematado em cima pela pala de um gorro velho e sujo. Por debaixo dessa pala brilhavamLeia mais sobreCaim e Artêmio (Maksim Górki)[…]

Uma árvore de Natal e um casamento (Fiódor Dostoiévisk)

Uma árvore de Natal e um casamento (Fiódor Dostoiévisk)

Um dia destes, vi um casamento… mas não, prefiro falar-vos de uma árvore de Natal. Achei o casamento bem bonito, mas a árvore de Natal me agradou mais. Nem sei como, olhando para o casamento, me lembrei da árvore. Eis como o caso se passou. Há cerca de cinco anos fui convidado, na véspera deLeia mais sobreUma árvore de Natal e um casamento (Fiódor Dostoiévisk)[…]

No mar da Criméia (Anton Tchekhov)

No mar da Criméia (Anton Tchekhov)

I As trevas tornam-se cada vez mais densas. A noite desce. Gusief, antigo soldado, agora em baixa definitiva, incorpora-se na sua rede e diz baixinho: — Escuta, Pavel Ivanytch: um soldado me contou que o barco dele chocou-se, no Mar da China, com um peixe que era do tamanho de uma montanha. Será verdade? PavelLeia mais sobreNo mar da Criméia (Anton Tchekhov)[…]

Varka (Anton Tchekhov)

Varka (Anton Tchekhov)

Anoitece. Varka balança com o pé um berço onde chora uma criança, cantarolando monotonamente: — Bain bainscki bain… Uma lâmpada verde brilha diante de uma imagem de santo. Um par de grandes calças negras pende de uma corda. A lâmpada projeta uma mancha verde sobre as coisas e as calças fazem dançar sombras na paredeLeia mais sobreVarka (Anton Tchekhov)[…]

O bispo (Anton Tchekhov)

O bispo (Anton Tchekhov)

I Na véspera do Domingo de Ramos celebraram-se os últimos ofícios divinos, no Mosteiro de Staro-Petrovsky. Quando distribuíam os ramos, já eram quase dez horas, as luzes baixavam, os pavios queimavam — e tudo parecia envolto em bruma. Na penumbra da igreja, a multidão ondulava como um mar e Monsenhor Piotr, doente há três ouLeia mais sobreO bispo (Anton Tchekhov)[…]

Angústia (Anton Tchekhov)

Angústia (Anton Tchekhov)

“Com quem a dor partilharei?…” Anoitece. A neve graúda e úmida gira preguiçosamente ao redor dos lampiões recém acesos e deita-se em placas macias e finas nos telhados, nos lombos dos cavalos, nos ombros, nos gorros. O cocheiro Iona Ptápov está todo branco, como um fantasma. Está sentado na boléia, curvado, tão curvado quanto éLeia mais sobreAngústia (Anton Tchekhov)[…]

Um caso médico (Anton Tchekhov)

Um caso médico (Anton Tchekhov)

Um telegrama enviado da fábrica dos Lialikov pedia ao professor que viesse o mais depressa possível. A filha da Senhora Lialikov, que devia ser a proprietária da fábrica, estava doente; era tudo o que se podia perceber num longo telegrama mal redigido. Por isso o professor não esteve para se incomodar; contentou-se em enviar, paraLeia mais sobreUm caso médico (Anton Tchekhov)[…]

Certo dia de Outono (Maksim Górki – 1895)

Certo dia de Outono (Maksim Górki – 1895)

Certo dia de outono vi-me numa situação muito delicada e incômoda: acabava de chegar a uma cidade onde não conhecia ninguém, não tinha onde me hospedar e meus bolsos estavam vazios. No decorrer dos primeiros dias vendera todas as peças de roupa que podia dispensar e, finalmente, não restou outro recurso senão dirigir-me ao localLeia mais sobreCerto dia de Outono (Maksim Górki – 1895)[…]

O avô e o netinho (Maksim Górki – 1894)

O avô e o netinho (Maksim Górki – 1894)

Aguardando a balsa, os dois deitaram-se na sombra da ribanceira e olharam muito tempo as águas turvas e rápidas do Rio Kubanh. Leonhka adormeceu, mas o Vô Arhip sentia dor surda e aborrecida no peito e não pôde dormir. No fundo marrom-escuro da terra os dois vultos encolhidos apenas apareciam, um deles pouco maior queLeia mais sobreO avô e o netinho (Maksim Górki – 1894)[…]

O vingador (Anton Tchekhov)

O vingador (Anton Tchekhov)

Logo depois de haver surpreendido sua mulher em flagrante, encontrava-se Fedor Fedorovich Sigaev na loja de armas de Schmuks e Cia, a escolher o revólver que melhor lhe pudesse servir. Seu rosto expressava ira, dor e decisão irrevogável. “Bem sei o que devo fazer!”, pensava. “Quando os fundamentos de uma família são profanados, e aLeia mais sobreO vingador (Anton Tchekhov)[…]

Borboleta (Anton Tchekhov – 1892)

Borboleta (Anton Tchekhov – 1892)

James Tissot, Le Bal – 1880 Todos os amigos e bons conhecidos de Olga Ivanovna foram ao seu casamento. – Olhem para ele: não é verdade que tem qualquer coisa? – dizia ela aos amigos apontando o marido com a cabeça, como para explicar porque desposara aquele homem simples, muito vulgar, que não se distinguiaLeia mais sobreBorboleta (Anton Tchekhov – 1892)[…]

O bilhete premiado (Anton Tchekhov)

O bilhete premiado (Anton Tchekhov)

Ivan Dmítritch, homem remediado que vivia com a família na base de uns 1200 rublos por ano, muito satisfeito com seu destino, certa noite, depois do jantar, sentou-se no sofá e começou a ler o jornal. – Esqueci de dar uma olhada no jornal de hoje – disse sua mulher tirando a mesa. – DêLeia mais sobreO bilhete premiado (Anton Tchekhov)[…]

A obra de arte (Anton Tchekhov)

A obra de arte (Anton Tchekhov)

Carregando sob o braço um objeto embrulhado no número 223 do Mensageiro da Bolsa, Sacha Smirnoff, filhinho de mamãe, assumiu uma expressão de tristeza e entrou no consultório do doutor Kochelkoff. — Ah! meu grande jovem! — exclamou o médico. — Como vamos? O que há de novo? Fechando as pálpebras, Sacha pôs a mãoLeia mais sobreA obra de arte (Anton Tchekhov)[…]

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